Prezados visitantes, meus fantasmas do mundo virtual, vou dar uma paradinha por duas semanas. Depois que voltar das paradisíacas praias catarinenses, prometo escrever mais bobagens.
Até breve!
sábado, 6 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Calor senegalesco
Acredito que deveria haver um termo de responsabilidade assinado por quem coloca uma partida de futebol para ser jogada no meio da tarde sob calor senegalesco.
Pensem comigo: se muita gente não suporta o calor dentro de casa, com ar-condicionado e refrescos geladinhos, imaginem o sujeito na rua ou em qualquer outro lugar ao alcance do sol?
Isso não é de hoje no futebol. Lembrem dos jogos na Copa do Mundo de 1986, no México. Quero ver quem vai ser responsabilizado quando alguém cair morto no gramado. É o que, mais cedo ou mais tarde, vai acontecer.
Pensem comigo: se muita gente não suporta o calor dentro de casa, com ar-condicionado e refrescos geladinhos, imaginem o sujeito na rua ou em qualquer outro lugar ao alcance do sol?
Isso não é de hoje no futebol. Lembrem dos jogos na Copa do Mundo de 1986, no México. Quero ver quem vai ser responsabilizado quando alguém cair morto no gramado. É o que, mais cedo ou mais tarde, vai acontecer.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Sobre sirenes
Sirenes anunciam
Esgueladas
Acuda, acuda, acuda
Sirenes exibem
A mesma cor
Vermelha, vermelha, vermelha
Sirenes me lembram
O tempo inteiro
Cidade grande, cidade grande, cidade grande.
Esgueladas
Acuda, acuda, acuda
Sirenes exibem
A mesma cor
Vermelha, vermelha, vermelha
Sirenes me lembram
O tempo inteiro
Cidade grande, cidade grande, cidade grande.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Historinha da TPM
Diálogo entre um casal. Ela na TPM. Ele light.
Ele: “Bom dia, amor!”.
Ela: “Te odeio, te odeio!”.
Ele: “Por que chuchuzinho?”.
Ela: “Do que tu me chamastes? Repete! Repete se tu é macho!”.
Ele: “Não tô entendendo nada”.
Ela: “Só podia. Tu é burro como uma porta”.
Ele: “Mas o que houve? Ontem, no rala e rola, tu tava tão feliz”.
Ela: “Que rala e rola nada. Te odeio!”.
Ele: “Ah, vem cá! Deixa eu te dar um beijo”.
Ela: “Nem vem, tô te avisando. Não vem”.
Ele: “Quero te abraçar, te dar cafuné...”.
Ela: “Sai daqui fedido! Tu fedes!”.
Ele: “Vamos se respeitar, vamos se respeitar. Tu sabes que eu não sou fedido”.
Ela: “Te odeio, te odeio! E tu fedes sim”.
Ele: “Vou te agarrar na marra. Vem cheirar meu sovaquinho, vem?”.
Ela: “Te odeio, te odeio! Tenta se tu é macho”.
[ela pega na mesinha de lado da cama aqueles aparelhos elétricos de dar choque em bandidos. Ele não vê]
Ele: “Quero te possuir agora”.
Ela: “Te odeio, te odeio! Toca em mim pra tu ver”.
[ele agarra ela e vai pra cima. Ela pega o aparelho e dá uma descarga nas bolas dele. Ele berra. Ele solta. Ele se contorce na cama]
Ele: “Por quê? O que foi que eu te fiz?”.
[ela fica em silêncio]
Ele: “Tá com a consciência pesada?”.
[ela começa a bufar]
Ele: “Tu precisas de uma focinheira”.
[ela pega o aparelho de novo e gruda nas bolas dele. Gritos de dor. O marido salta pra fora da cama]
Ele: “Só me diz o porquê?”.
Ela: “Te odeio, te odeio!”.
[ele está furioso. Pega a focinheira do cão de estimação e faz menção de colocar nela]
Ele: “Vem cá, cadela!”.
Ela: “Não me provoca!”.
Ele: “Vem, cadela!”
[ela salta nele, dentes grudados nos testículos. Morde com vontade. Arranca as bolinhas. Ele cai quase desmaiado]
Ele: “Só me diz o porquê?”.
Ela: “Te odeio, te odeio!”.
[ele desmaia, há sangue pelo chão. Ela está fora de si. Os vizinhos, que chamaram a polícia, ainda flagraram ela de quatro quando a porta foi arrombada pelos brigadianos]
Brigadiano: “O que a senhora tem a dizer sobre tudo isso?”.
[ela segue em silêncio, respiração forte]
Brigadiano: “Diga agora ou será presa?”.
Ela: “Au, au, au!”.
Brigadiano: “Tu tá latindo?”.
[ela caminha de quatro, vai até a tigela de água do cão e bebe]
[brigadiano conversa pelo rádio com os colegas. Pede reforços. Enquanto observa ela bebendo água, ainda consegue identificar baixinho, no meio dos latidos:]
“Te odeio, te odeio!”.
Ele: “Bom dia, amor!”.
Ela: “Te odeio, te odeio!”.
Ele: “Por que chuchuzinho?”.
Ela: “Do que tu me chamastes? Repete! Repete se tu é macho!”.
Ele: “Não tô entendendo nada”.
Ela: “Só podia. Tu é burro como uma porta”.
Ele: “Mas o que houve? Ontem, no rala e rola, tu tava tão feliz”.
Ela: “Que rala e rola nada. Te odeio!”.
Ele: “Ah, vem cá! Deixa eu te dar um beijo”.
Ela: “Nem vem, tô te avisando. Não vem”.
Ele: “Quero te abraçar, te dar cafuné...”.
Ela: “Sai daqui fedido! Tu fedes!”.
Ele: “Vamos se respeitar, vamos se respeitar. Tu sabes que eu não sou fedido”.
Ela: “Te odeio, te odeio! E tu fedes sim”.
Ele: “Vou te agarrar na marra. Vem cheirar meu sovaquinho, vem?”.
Ela: “Te odeio, te odeio! Tenta se tu é macho”.
[ela pega na mesinha de lado da cama aqueles aparelhos elétricos de dar choque em bandidos. Ele não vê]
Ele: “Quero te possuir agora”.
Ela: “Te odeio, te odeio! Toca em mim pra tu ver”.
[ele agarra ela e vai pra cima. Ela pega o aparelho e dá uma descarga nas bolas dele. Ele berra. Ele solta. Ele se contorce na cama]
Ele: “Por quê? O que foi que eu te fiz?”.
[ela fica em silêncio]
Ele: “Tá com a consciência pesada?”.
[ela começa a bufar]
Ele: “Tu precisas de uma focinheira”.
[ela pega o aparelho de novo e gruda nas bolas dele. Gritos de dor. O marido salta pra fora da cama]
Ele: “Só me diz o porquê?”.
Ela: “Te odeio, te odeio!”.
[ele está furioso. Pega a focinheira do cão de estimação e faz menção de colocar nela]
Ele: “Vem cá, cadela!”.
Ela: “Não me provoca!”.
Ele: “Vem, cadela!”
[ela salta nele, dentes grudados nos testículos. Morde com vontade. Arranca as bolinhas. Ele cai quase desmaiado]
Ele: “Só me diz o porquê?”.
Ela: “Te odeio, te odeio!”.
[ele desmaia, há sangue pelo chão. Ela está fora de si. Os vizinhos, que chamaram a polícia, ainda flagraram ela de quatro quando a porta foi arrombada pelos brigadianos]
Brigadiano: “O que a senhora tem a dizer sobre tudo isso?”.
[ela segue em silêncio, respiração forte]
Brigadiano: “Diga agora ou será presa?”.
Ela: “Au, au, au!”.
Brigadiano: “Tu tá latindo?”.
[ela caminha de quatro, vai até a tigela de água do cão e bebe]
[brigadiano conversa pelo rádio com os colegas. Pede reforços. Enquanto observa ela bebendo água, ainda consegue identificar baixinho, no meio dos latidos:]
“Te odeio, te odeio!”.
Como se não houvesse amanhã
É manhã ensolarada. O calor castiga as flores sobre os túmulos. Um cortejo avança pelo meio do cemitério, carregando um caixão de proporções menores. Um casal, que aparenta meia idade, chora junto ao esquife. O homem traz o braço em torno da cintura da mulher. Ambos vestem preto. Há, ainda, velhos e crianças misturados num caminhar lento.
O grupo forma uma imensa roda em torno de uma das sepulturas. Um padre inicia o processo final de encomenda da alma, enquanto quatro coveiros retiram seus bonés como forma de demonstrar respeito. Todos eles têm o corpo suado, o rosto cansado e a barba por fazer. Terminada a cerimônia, o corpo desce para a cova sob o olhar triste dos presentes. A mulher ergue o véu e atira um beijo para o defunto. O homem, pouco depois, arremessa um buquê de rosas para dentro do buraco.
Os coveiros colocam lajes sobre o caixão, acimentam com habilidade e rapidez os espaços e encaixam a pedra de mármore sobre a sepultura. Algumas pessoas começam a se distanciar do jazigo, enquanto outras esperam pelo casal.
"Pobrezinho do Ricardo. Morrer de câncer tão jovem, com dez anos", alguém comenta.
Não há mais ninguém perto do local do enterro. Na lápide, está a foto da criança. Um menino loiro, com dentes bem brancos e um sorriso encantador. Um avião deixa uma trilha branca no infinito azul do céu. E a vida segue, com seu som, com seu cheiro e com outro menino de dez anos, não muito longe dali, que chuta uma bola de futebol como se não houvesse amanhã.
O grupo forma uma imensa roda em torno de uma das sepulturas. Um padre inicia o processo final de encomenda da alma, enquanto quatro coveiros retiram seus bonés como forma de demonstrar respeito. Todos eles têm o corpo suado, o rosto cansado e a barba por fazer. Terminada a cerimônia, o corpo desce para a cova sob o olhar triste dos presentes. A mulher ergue o véu e atira um beijo para o defunto. O homem, pouco depois, arremessa um buquê de rosas para dentro do buraco.
Os coveiros colocam lajes sobre o caixão, acimentam com habilidade e rapidez os espaços e encaixam a pedra de mármore sobre a sepultura. Algumas pessoas começam a se distanciar do jazigo, enquanto outras esperam pelo casal.
"Pobrezinho do Ricardo. Morrer de câncer tão jovem, com dez anos", alguém comenta.
Não há mais ninguém perto do local do enterro. Na lápide, está a foto da criança. Um menino loiro, com dentes bem brancos e um sorriso encantador. Um avião deixa uma trilha branca no infinito azul do céu. E a vida segue, com seu som, com seu cheiro e com outro menino de dez anos, não muito longe dali, que chuta uma bola de futebol como se não houvesse amanhã.
Caso Watergate, uma lição jornalística
Os repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein, do Washington Post, deixaram uma lição de trabalho jornalístico. Em 1972, os dois revelaram o escândalo Watergate dentro do governo do presidente Richard Nixon, dos Estados Unidos, que acabaria renunciando ao cargo posteriormente. Suas matérias eram a essência da reportagem investigativa.
Os tempos são outros. Cada vez há menos matérias nos periódicos diários com reportagens de caráter investigativo. O normal é se encontrar inúmeras informações não apuradas da forma correta. Quem sai perdendo, é claro, é o leitor.
Na era da Internet, a checagem das notícias parece ter ficado em um segundo plano. O que é um perigo para a credibilidade do jornal. Outro problema é a leva de recém-formados que chega às redações, sem o conhecimento mínimo da língua portuguesa. Os testes de aptidão para as redações têm revelado erros primários. O estudante de Comunicação Social passa pelo menos quatro anos se preparando para a vida profissional de muitas maneiras. Esquece da essência: ler, conhecer a língua e escrever.
O livro “Os Elementos do Jornalismo – O que os jornalistas devem saber e o público exigir”, de Bill Kovach e Tom Rosenstiel, é uma boa dica de como todos jornalistas deveriam proceder na rotina da apuração dos fatos. Lá, encontram-se nove pontos básicos da profissão. O primeiro talvez seja um dos mais esquecidos no fechamento das edições, devido ao seu caráter subjetivo – a verdade. Logo em seguida, aparece a lealdade para com os cidadãos, os leitores.
Todo jornalista, seja de rádio, TV, jornal ou Internet, deveria descer do pedestal da arrogância, pelo menos de vez em quando, e lembrar o porquê de existir. O compromisso não é com o dono da empresa ou com os anunciantes. É com o leitor e ponto final. A imprensa tem o dever moral de investigar, assim como de dar espaço a matérias de caráter social.
Os tempos são outros. Cada vez há menos matérias nos periódicos diários com reportagens de caráter investigativo. O normal é se encontrar inúmeras informações não apuradas da forma correta. Quem sai perdendo, é claro, é o leitor.
Na era da Internet, a checagem das notícias parece ter ficado em um segundo plano. O que é um perigo para a credibilidade do jornal. Outro problema é a leva de recém-formados que chega às redações, sem o conhecimento mínimo da língua portuguesa. Os testes de aptidão para as redações têm revelado erros primários. O estudante de Comunicação Social passa pelo menos quatro anos se preparando para a vida profissional de muitas maneiras. Esquece da essência: ler, conhecer a língua e escrever.
O livro “Os Elementos do Jornalismo – O que os jornalistas devem saber e o público exigir”, de Bill Kovach e Tom Rosenstiel, é uma boa dica de como todos jornalistas deveriam proceder na rotina da apuração dos fatos. Lá, encontram-se nove pontos básicos da profissão. O primeiro talvez seja um dos mais esquecidos no fechamento das edições, devido ao seu caráter subjetivo – a verdade. Logo em seguida, aparece a lealdade para com os cidadãos, os leitores.
Todo jornalista, seja de rádio, TV, jornal ou Internet, deveria descer do pedestal da arrogância, pelo menos de vez em quando, e lembrar o porquê de existir. O compromisso não é com o dono da empresa ou com os anunciantes. É com o leitor e ponto final. A imprensa tem o dever moral de investigar, assim como de dar espaço a matérias de caráter social.
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